Jaider Or Júnior


Novas Normas Gramaticais do Acordo Ortográfico

 

O acordo tem 20 mudanças

 

                    O acordo, que visa a unificar o registro escrito nos oito países que falam português, prevê 20 bases de mudança na língua. Entre elas, o fim do trema, a supressão de consoantes mudas e a inclusão das letras W, K e Y no alfabeto. As novas regras entram em vigor a partir de 2009, mas, até 2012, tanto as novas normas quanto as antigas serão aceitas oficialmente.

– Trata-se de uma medida estrategicamente muito favorável aos 230 milhões de falantes da nossa língua. – afirma Arnaldo Niskier. – Isto vem em boa hora, opina o mesmo.

O que muda na ortografia em 2009:
 
- As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiros terão
que escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”;
 
- mudam-se as normas para o uso do hífen;
 
- Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”,
“ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”;
 
- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”;
 
- O trema desaparece completamente. Estará correto escrever “linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e quinqüênio;
 
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”;
 
- O acento deixará de ser usado para diferenciar “pára” (verbo) de “para” (preposição);
 
- Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia;
 
- Em Portugal, desaparecem da língua escrita o “c” e o “p” nas palavras onde ele não é pronunciado, como em “acção”, “acto”, “adopção” e “baptismo”. O
certo será ação, ato, adoção e batismo;
 
- Também em Portugal elimina-se o “h” inicial de algumas palavras, como em “húmido”, que passará a ser grafado como no Brasil: “úmido”;
 
- Portugal mantém o acento agudo no “e” e no “o” tônicos que antecedem “m” ou “n”, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus;
 

ABL recebe com entusiasmo aprovação do Acordo Ortográfico

A  Assembléia do Parlamento de Portugal aprovou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

A notícia alegrou a Academia Brasileira de Letras. Desde os anos 70, por iniciativa do filólogo Antonio Houaiss, a Casa já trabalha nesse Acordo. O acadêmico Cícero Sandroni, presidente da instituição, destacou a importância da aprovação para a Língua Portuguesa:

- A Academia encara essa aprovação como um marco histórico. Inscreve-se, finalmente, a Língua Portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da Lusofonia.

O gramático Evanildo Bechara, diretor da ABL e responsável pelo Setor de Lexicologia e Lexicografia, saudou a aprovação do Acordo. Para o imortal, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa demonstrou um alto grau de maturidade política.

Presidente da Casa em 2006 e 2007, Marcos Vinicios Vilaça concorda com Bechara. “Portugal acaba de dar prova de grande maturidade e modernidade. A simplificação e unificação ortográfica trarão inúmeros benefícios para a comunidade lusófona. A simplificação do emprego do idioma vai possibilitar o incremento das relações culturais entre nós”. A gestão de Vilaça acelerou o processo de aprovação do Acordo.

Domício Proença Filho resume a história do Acordo

A ortografia da língua portuguesa tem sido preocupação de estudiosos desde o século XVI. Só se torna, entretanto, objeto de regulamentação por acordos firmados por Brasil e Portugal, a partir dos começos do século XX. O último, em vias de implantação, envolve os demais países lusófonos.

Representa a culminância de tentativas de superação de divergências que marcam os acordos vigentes: o de 1943, no Brasil acrescido das alterações de 1971, e o de 1945, em Portugal, com as medidas de 1973. Mais um capítulo de uma história longe de ser tranqüila.

No processo, a concretização, em 1975, de novas normas comuns, elaboradas pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa. Motivos de caráter político impedem a aprovação oficial dos cânones preconizados.

Os esforços, a partir de então, prosseguiram até 1986, quando, por iniciativa do acadêmico Antonio Houaiss, reuniram-se no Rio representantes convidados dos países que, então, adotavam o Português como língua oficial.

Eram eles, além do Brasil, Portugal, as demais nações lusófonas agora independentes: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O Timor Leste só mais tarde oficializaria o uso da língua comum. O acordo ortográfico elaborado na ocasião propiciaria a unificação da grafia de 99,5% do vocabulário geral da língua.

Reações polêmicas ainda uma vez o inviabilizaram. Novas negociações mobilizam, em 1989, os países oficialmente lusófonos. E um novo documento regulador é formulado em 1990. Na base dos conteúdos, o texto do Acordo de 1975 e, de estrutura, do Acordo de 1986. Consideradas as razões das divergências a ambos vinculadas. O texto final é assinado em Lisboa, em 16 de dezembro daquele ano, por representantes das nações envolvidas.

Destinado a unificar a grafia de 98% do vocabulário geral da língua na dependência de aprovação pelos respectivos Congressos. Nesse sentido, ganha a anuência de Portugal, de Cabo Verde e, em 1995, dos congressistas brasileiros.

Por força da incompatibilidade entre data de vigência e de aprovação, um protocolo modificativo elimina a exigência de fixação da primeira. Tal documento é referendado por Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e, em 2002, pelo Brasil. Na agilização do processo, a Comunidade dos Paises de Língua Portuguesa, criada em 1996. No curso das discussões, estabelece-se, como regra, arriscada, que a concordância de três países representaria consenso. Tecnicamente o novo acordo poderia ter entrado em vigor desde 2002.

Atendendo a Pedidos, deixo aqui um Manual Michaellis com todas as mudanças, onde você pode fazer o donwload completo em pdf.